segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Babel

Nem todo latino deportado é bandido. Nem todo incidente ocorrido num país árabe é terrorismo. Nem toda jovem problemática vai se suicidar.
O que essas estórias têm em comum? Além de serem as estórias do filme Babel, todos têm algum ponto tangente; algo que liga cada uma das relações linearmente.
A música é sensacional; a fotografia então, nem se fala. Agora, o melhor de tudo é a quebra de paradigmas. A vida ocorre lá fora, ou até mesmo do seu lado. Já parou pra se perguntar qual é a carga histórica de cada pessoa que cruza por você diariamente?
Cada janela de um prédio esconde uma história mais do que instigante: surpreendente!
É com essa mesma idéia que Alejandro G. Iñarritu termina seu filme: com uma tomada que, ao meu ver, ilustra exatamente essa minha exegese.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Lady Chatterley de D. H. Lawrence


Capitu? Emma Bovary? Luísa?

Não.

Constance Reide , é mais do que uma personagem, é uma força interna projetada em forma de mulher.

Essa jovem, bela e rica mulher burguesa do início do século 20, casa-se com Clifford Chatterley, um rico militar, dito bom partido; mas o que estava acontecendo no início do século 20? Isso mesmo: A 1º Grande Guerra. E aquele bom partido foi a guerra e voltou "partido": paraplégico.

Paralisia no começo do casamento não é nada bom.

Dai, a jovem Constance, chamada de Connie, começa a viver uma vida pacata no interior. Cuidando da casa, dos empregados, uma vida caseiro-burocrática. O filme chega a mostrar a vida dela como sendo um verdadeiro tédio. A fotografia mostra as estações passando e nada acontecendo, verão, e nada, outono, e nada, iverno, e nada!

Mas, um dia, tudo muda. Connie vê, e através de um processo, que não sei se é pelo inconsciente coletivo ou pela quebra do superego, através das visitas à cabana onde trabalha o Caliente Parkin, que ela começa a se interessar por esse Homem. Dai tudo se desencadeia...

Ela vai começar a ver e sentir a vida de uma maneira diferente. Sexo na grama, na chuva, num casebre... e sexo não como obrigação, mas como uma válvula de escape da sua realidade enfadonha. Ta certo que o filme parece meio pornográfico, mas quem leu o livro já sabe do que acontece e é isso mesmo que o D H Lawrence quis passar, o sexo como meio de vida, a valorização da emoção do corpo durante o ato!

O toque, o cheiro, a lembrança... todos os elementos mostram uma Connie renovada, mesmo presa ao marido deficiente. Presa no sentido de estar casada.

O filme tem alguns elementos interessantes.

Crítica ao capitalismo selvagem que explorava as pessoas desprovidas de capital, isto é, os proletários.

Destaca uma filosofia bem interessante. O marido rico e que se diz culto diz que Parkin é um xulo, mas é Parkin quem faz a seguinte observação: "o que sei é que tenho esta vida pra viver"; se tem uma outra vida ninguém tem O ARGUMENTO pra provar, mas eu tenho todos ao meu lado pra comprovar que esta vida é fatual e a tenho pra viver.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O que é real?

O sabão é um produto da saponificação.
O livro é um produto do processo de produção gráfica precedido pelo intelectual.
Eu sou um produto da relação entre meus pais.
Por que a religião não pode ser um produto de nossas mentes???

Eu não posso largar o que está firmemente estabelecido em mim, não porque é errado, mas somente por causa do preconceito...
Eu considero todas as coisas justas. Entretanto, meu colegas não vêem do mesmo jeito. Sendo assim é mais favorável viver sob "luz da verdade", sofrendo, a viver no crepúsculo, distante de deus!

Mas, o que é deus? Aquele que nos criou, depois observa tudo e ainda influencia diretamente nossas vidas?
Ahhh... me ajude a comprender o que acontece de verdade!!
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará! Desde quando? Eu tenho as ditas verdades: uma à luz da bíblia e outra à luz da visão filosófica humana, mas nenhuma das duas me libertou...

Come and set me free, come break me down, marry me, parry me; I am finishing with you!!!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007



Olho para o lado e não te vejo
Telefone: não sei o número
Email? Não está on-line
Cadê você?


Fiquei sabendo que tem outro
na disputa
Disputa? Nunca deixei claro
se realmente te queria...


Agora pago o preço
de ver outrem comentar seu blog
Tento carregar os bits
mas seu servidor não me suporta

Libera sua URL pra mim...
Preciso saber seu IP, mas
Eu sei que sua memória não é RAM e
um dia nossas interfaces vão combinar os protocolos














Metacrônica



No que consiste desapego material? Joe Gould sabe muito bem o que é isso.

O último filme que assisti em casa foi "Crônica de uma certa Nova Iorque".

O filme é belíssimo em retratar a vida de dois homens intrigantes. Um é o jornalista Joe Mitchel (Stanley Tucci). O outro é a razão do filme: Joe Gould.

Joe Gould, um homem rico, formado pela Universidade de Harvard larga tudo, pra viver na rua, porque de acordo com sua idéia era necessário "viver" entre as pessoas pra saber o que lá se passava para assim escrever a História Oral da Humanidade. Tal projeto era ambicioso, era pra ser três vezes mais abrangente do que a Bíblia.
A história desses dois homens se cruzam num bar; nada mal para Joe Gould que é visto como um autêntico boêmio. Lá Joe Mitchel, o jornalista, fica curioso quanto àquela figura. Joe Mitchel escreve um artigo sobre Joe gould, e se envolve tanto na história que o relacionamento entre os dois se torna muito constante causando certo constrangimento para o jornalista

Mas o ponto central do filme é mostrar que Joe Gould é a voz da população de NY; Joe Gould é a figira representativa da ferida da sociedade...

A obra que Joe Gould tenta escrever é um misto de História com análise da sociedade. Ele descreve, por exemplo, o surgimento da aristocracia e dos peões, na sociedade norte amerciana, destacando o papel de cada um deles. E ainda mostra o que é preciso para se tornar um ser humano perfeito.

Crônica de uma certa NY mostra um senhor culto, decidido, irreverente, teimoso e solitário encherga a sociedade norte americana da década de 40.

O que me chamou bastante atenção no filme foi o papel de Atanley Tucci: um pai de família dedicado e prestativo. um jornalista assaz meticuloso e articulista; acima de tudo um ser humano que vê em Joe Gould a voz da essência humana.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Acabei com o livro do Irving Yalom

Acabo de terminar de ler o livro “Quando Nietzsche chorou” do psiquiatra Irving Yalom.

O livro tem um enredo agradável. Ler não se torna somente um passatempo, mas um enriquecimento devido a graciosidade com a qual o autor utiliza as palavras.

Claro que eu não vou contar o resumo do livro aqui; se quiser vai comprar o livro ou, faça como eu, pegue o emprestado numa biblioteca!!

A grande questão do livro é: Tratar O grande Filósofo Friedrich Nietzsche de sua tendência... aha calma! Não é tendência homossexual não (se bem que eu acho, que lá no fundo ele tinha uma quedinha...) na verdade é tendência ao suicídio.

Isso mesmo Nietzsche fica quase louco por causa da dita Lou Salomé; que mulher fantástica. À frente de seu tempo... incrível!

O livro então conta a historia de encontro entre o Dr. Breuer e o nosso filósofo(encontro fictício). Aquele médico usa o que seria o protótipo da psicanálise pra cuidar desse problema de Nietzsche. Entretanto, como ajudar alguém que considera a caridade nada mais nada menos do que a tentativa de adquirir poder? Isso mesmo, Nietzsche é fissurado nesse lance de poder. Ficar por baixo? NUNCA!!!

Daí o Dr Breuer encontra um jeito de fazer as análises com ele de uma maneira sutil: Nietzsche seria o curador da alma do Dr Breuer, isso o forçaria a ver no Dr Breuer seu próprio problema e então resolver o seu! Ufa....

O livro na verdade quer mostrar um Nietzsche mais humano, mais acessível, mais amigável e mais sensível. O autor, talvez por inferências dos textos do nosso filósofo tenta criar uma personalidade mais “aceitada dentro dos padrões” para Nietzsche.

É livro bom, mas poderia ser melhor...

Quatrocentas páginas que poderiam ser mais bem aproveitadas desenvolvendo um fundo mais interessante concernente à teoria da psicanálise. No tocante a esta teoria, o livro só mostra como se deu a curiosidade de Freud e do Dr Breuer pelo tema...através dos sonhos... que pena, este livro, mesmo sendo metaficção poderia ser mais bem utilizado se contasse com mais detalhes fáticos da teoria da psicanálise; não que eu desmereça os detalhes e os fatos apresentados pelo autor. FATO ALHO...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Filadelfia = Philadelphia

Com a belíssima música do Bruce Springsteen apresenta-se a cidade "Filadelfia", cidade que dá nome ao filme que acabei de assistir.

É fantástico como uma representação artística pode influenciar em nossas vidas.

A essencia do filme se dá pelos papeis de um advogado que é demitido. Os donos da empresa dizem que a causa da demissão é falta de competencia da parte desse jovem e dedicado advogado-recém formado. Mas Andrew(Tom Hanks) sabe muito bem o real motivo: sua doença(aids) e principalmente, sua orientação sexual; isso mesmo Andrew Beckett é gay.

Ai se dá a grande trama. Andrew contrata o bem sucedido e homofóbico advogado Joe Miller (Denzel Washington). Este por sua vez é um grande personagem que vai mostrar, um reflexo da sociedade. Não tem amigos gays por medo se ser taxado de gay. Odeia os gays, mas uma situação na biblioteca (olha que legal) o faz mudar de idéia, pelo menos quanto a ajudar Andrew.

O filme se extende por vários momentos no tribunal, sendo uma boa indicação pra quem faz direito.

Várias cenas são interessantes. A festa gay na casa de Andrew, que conta com a presença do advogado de defesa de Andrew; agora um pouco mais tolerante. Outra cena interessante e marcante é a que segue a festa: Andrew num momento quase de transe com a música clássica...

Amizade. Superação. Dia a dia. Racismo. Homofobia. Alegria mesmo em situação difícil. Esses são alguns dos temas tratados pelo diretor Jonathan Demme. Filadelfia é um filme, se é que existe esta denominação: filme "de cabeceira".

sábado, 29 de setembro de 2007

Psicanálise e Metaficção


Psicanálise. Incrível teoria que surgiu de uma conturbada vida: a de Freud.
Estou lendo o livro "Quando Nietzsche chorou". Maravilhoso em enredo e claro em detalhes.
Apesar de ser uma metaficção historiográfica, seus vários recortes remontam às vidas de pessoas reais, tais como Nietzsche (óbvio), Freud, O famoso Dr. Breuer, Lou Salomé (fantástica mulher), dentre outros.
ainda tô no sétimo capítulo, o que torna as expectativas pro final elevadas...
Até agora, posso dar um pouco da história:
Nietzsche, um dos filósofos que mais admiro, está passando por um período chato: náuseas, tontura, quase cegueira... no mesmo período o recém formado dr. Freud começa se interessar pelos sonhos e juntamente com seu amigo Dr. Breuer, também psiquiatra, começam, sem saber, é claro, a desenvolver a teoria da psicanalise.... isso é fantastico!
Tá, mas e Nietzsche nessa históriia toda? Aha!!!! A pedido de Lou Salome Nietzsche vai ser tratado pelo dr. Breuer. Aqui é que começa a metaficção historiográfica: Nietzsche nunca se encontrou com aquelas duas figuras históricas!!
Duas realidades que se encontram num romance!
Vamos ver o desenrolar dessa história...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Dentro de nós


Difícil tarefa falar sobre o que você mesmo é. As palavras não fluem facilmente assim como corre o fluxo do rio em direção ao mar!

O que posso dizer, e necessariamente o quero fazer, é tentar expor meus sentimentos...

Viver no crepúsculo é uma tarefa um tanto complexa. Querer a liberdade é algo nato ao ser humano.

O que é ser liberto?

O que é fazer o que queremos?

Como sentir experiências novas, se a cada dia tudo fica mais difícil?

(...)

Vivo numa situação de encarar a bifurcação. A minha frente surgem dois caminhos dicotômicos:

"Parmênides" e "Heráclito"...

Qual seguir???

Queria poder ser do Epicurismo e dizer Carpe Diem sem medo!!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Me esqueci!

Rapaz!!
Tem tanto tempo que eu não entro neste blog...
Mas acho que agora vou voltar ao normal, se bem que nem antes era normal!
haushaushaus