quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Clarice Lispector Кларісе Ліспектор

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e
sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua
presença.
Me dê a coragem de
considerar esse vazio
como uma
plenitude.
Faça com que eu seja
a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em
êxtase.
Faça com que eu possa
falar
com este vazio
tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e
embala.
Faça com que eu tenha a
coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas
ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não
me destrua.
Faça com que minha solidão
me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha
a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar
com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de
tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de
pensar.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Hilda Hilst

Tá Cesinha, eu assistira a um documentário sobre esta pujante mulher, mas não me toquei quando vi o seu livro na "Galeria dos pães".
"Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."
Hilda Hilst

Literatura fantástica

A idéia de Deus, um ser onisciente, onipotente, e que, além disso,
nos ama, é uma das mais ousadas criações da literatura fantástica.
Preferiria, de todo modo, que a idéia de Deus pertencesse à
literatura realista

Jorge Luís Borges

A hora íntima por Vinícius de Moraes




Quem pagará o enterro e as flores

Se eu me morrer de amores?

Quem, dentre amigos, tão amigo

Para estar no caixão comigo?

Quem, em meio ao funeral

Dirá de mim: — Nunca fez mal...

Quem, bêbado, chorará em voz alta

De não me ter trazido nada?

Quem virá despetalar pétalas

No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente

Na terra um grão de semente?

Quem elevará o olhar covarde

Até a estrela da tarde?

Quem me dirá palavras mágicas

Capazes de empalidecer o mármore?

(...)

Quem se abraçará comigo

Que terá de ser arrancada?

Quem vai pagar o enterro e as flores

Se eu me morrer de amores?


domingo, 30 de dezembro de 2007





Não importa como, ou onde lhe conheci.


Ou quanto tempo irá durar esta paixão.


Não importa a distância que nos separa,


Nada me importa neste momento.


Só me importa saber


Que hoje


Eu amo você!!!




Foto: Nico Thielemann
Texto: Iraima Bagni

sábado, 29 de dezembro de 2007

Tem mais presença
em mim
Aquilo que me faz
falta

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Oh lord won´t you buy me a
Mercedes Benz
For me to drive the whole night
Till I get my
love again
???
??
?

Se voltar desejos Ou se eles foram mesmo,
Lembre da nossa música,
Música.
Se lembrar dos tempos,
Dos nossos momentos,
Lembre da nossa música,
Música.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Cidade Negra

Amor igual ao teu
Eu nunca mais terei
Amor que eu nunca vi igual
Que eu nunca mais verei

Amor que não se pede
Amor que não se mede
Que não se repete
Amor que não se pede
Amor que não se mede
Que não se repete

Você vai chegar em casa
Eu quero abrir a porta
Aonde você mora
Aonde você foi morar
Aonde foi
Não quero estar de fora
Aonde esta você
Eu tive que ir embora
Mesmo querendo ficar
Agora eu sei
Eu sei que eu fui embora
Agora eu quero você
De volta pra mim
Amor igual ao teu
Eu nunca mais terei

Amor que eu nunca vi igual
Que eu nunca mais verei

Amor que não se pede
Amor que não se mede
Que não se repete
Amor que não se pede
Amor que não se mede
Que não se repete
Amor igual ao teu
Eu nunca mais terei

Amor que eu nunca vi igual
Que eu nunca mais verei

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Ler um conto e tirar um ponto

Um dona de casa comportada, atenta e super altruísta. Essa é Evelyn Couch, atriz principal do filme "Tomates verdes fritos". Uma adaptação do livro de Fannie Flagg, Fried green tomatoes at whistle stop cafe.
O filme é belíssimo em mostrar uma senhora de 82 anos, Ninny Threadegood (o sobrenome é o mesmo da personagem da história contada por ela) contando a história de Idge e Ruth. Essa contação da história se dá em um hospital. A senhora Ninny está no hospital cuidando de uma amiga e Evelyn vai lá visitar a tia do marido, que não gosta dela. Veja só o altruísmo de Evelyn.
Ao passo que a senhora Ninny vai contando a história a Evelyn, por um efeito catártico, ela começa a mudar. Sua luta diária pra esquentar seu casamento, seu relacionamento com as outras pessoas e dai por diante. Ela começa inclusive a introjetar elementos da narativa do personagem em sua vida.
O lesbianisno é tratado no filme mais como um elemento "metafísico". Ruth e Idge, de acordo com o conto do Fannie Flagg, são íntimas demais, e o filme mostra apenas uma amizade incondiscional. Entretanto dá pra perceber alguns elementos que corroboram essa tese do lesbianismo, seja no beijo na lagoa; na convicção em tirar Ruth das garras do marido que bate nela; ou na hora de sua morte que Idge sente as dores da perda de um grande amor!
Com um retrato maravilhoso da vida de pessoas do interior e do verdadeiro sentido da vida, que nas palavras de Ninny é "ter verdadeiros amigos", o filme esboça a vontade de sempre querer as pessoas que amamos por perto sem ser egoístas a ponto de não percebermos a hora de sair de cena.